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Causas

Uma pesquisa feita na Unicamp derruba a crença de que as principais causas de gravidez na adolescência seriam a falta de informação sobre métodos anticoncepcionais ou a negligência. O estudo, em andamento, mostra que praticamente todas as meninas na faixa etária de 11 a 19 anos de idade conhecem muito bem as formas de prevenção, como camisinha e pílula. E que sua atitude, de não fazer uso desses métodos, nem sempre é irresponsável: uma parcela significativa, 24,5%, justificou a gravidez precoce pelo fato de ansiar por ter um filho.

A pesquisa faz parte da tese de mestrado do ginecologista e obstetra Márcio Belo, sob orientação do diretor do Departamento de Tocoginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), João Luiz Pinto e Silva. Foram entrevistadas, no período de outubro de 1999 a agosto de 2000, 156 meninas atendidas pelo Ambulatório de Pré-Natal de Adolescentes, serviço que funciona no hospital.

“É um erro acreditar que as adolescentes desconhecem formas de prevenção”, afirma Silva. Dentre as entrevistadas, apenas 1,9% declarou ignorância quanto à contracepção. O próprio diretor do Caism realizou, na década de 80, pesquisa semelhante. E os dados mapeados nesses vinte anos mostram que a informação quanto à camisinha evoluiu consideravelmente e que pouco variou em relação à pílula.

Na década de 80, 91% das adolescentes conheciam a pílula anticoncepcional e apenas 12%, o preservativo. Hoje, 98% das adolescentes sabem da pílula e 99,4%, do chamado “condom”. “Os programas de combate à Aids são os principais responsáveis pelo alto grau de conhecimento da camisinha”, constata o diretor.

Há 20 anos, 26% das adolescentes declararam que não usavam métodos anticoncepcionais por julgar que não engravidariam e 52,5% manifestavam o desejo de ser mãe. “Nesta pesquisa vemos que a vontade de engravidar diminuiu, assim como o número de jovens que não acreditam na hipótese de gravidez”, compara Belo. Em seu levantamento, 10,4% negligenciaram da contracepção, por achar que não engravidariam.

A repetição da pesquisa, duas décadas depois, é proposital. “O objetivo é descobrir se houve alteração na forma de pensar das adolescentes”, informa Silva. O estudo permite detectar que o conhecimento sobre métodos anticoncepcionais cresceu, mas que esta informação continua não se traduzindo em prevenção.

“Existe uma lacuna muito grande entre conhecimento e uso efetivo”, ressalta Belo. Ele lembra que a não utilização se deve a diversos fatores, inclusive ao desejo de ser mãe. “Não podemos esquecer que 24,5% das adolescentes entrevistadas queriam ficar grávidas e que outras 2,8% não se importavam com o fato de isto ocorrer”.

Equívocos – Orientador e orientado alertam que as campanhas para evitar a gravidez precoce estão no rumo errado. “O enfoque deve ser menor na informação sobre os métodos de prevenção e maior na importância quanto ao uso”, diz o diretor do Departamento de Tocoginecologia. Na pesquisa, 17,9% das adolescentes opinaram que os métodos anticoncepcionais são inconvenientes.

João Luiz Silva e Márcio Belo reclamam da escassez de campanhas institucionais voltadas exclusivamente para o combate à gravidez na adolescência. Os caminhos para reduzir a incidência, comentam, são principalmente o diálogo franco e aberto entre pais e filhos e programas de educação sexual adequados nas escolas. “Quando o tema é sexo, ainda existe muita dificuldade de comunicação dentro da família e por parte dos próprios professores em abordar o assunto”, aponta Belo. Silva observa que, mesmo nos consultórios médicos, ainda se percebe esta dificuldade.

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Causas do Problema

De acordo com Silvana Gomes, são muitos os fatores que contribuem para a alta incidência da maternidade durante a adolescência. O início precoce da vida sexual, falta de uso de métodos anticoncepcionais _ ou uso inadequado deles _, dificuldade de acreditar na própria capacidade de reproduzir e falta de dinheiro para adquirir o método são algumas das causas mais comuns que, normalmente, aparecem associadas. “Também não é difícil perceber que, quanto menor a escolaridade, maior o risco de gravidez na adolescência”, argumenta.

Para Virgínia Werneck Marinho, ginecologista infanto-puberal, também deve ser considerado o fato de que, para os adolescentes, mesmo que eles tenham informação sobre os riscos, qualquer planejamento pode tirar o encanto do sexo, o que os leva a praticar o ato sem pensar nas conseqüências. Outro problema é que os postos de saúde não atraem os jovens, eles têm medo de ser repreendidos pela decisão de iniciar a vida sexual e não confiam no SUS. “Cerca de 20% dos casos de gravidez na adolescência ocorrem nos primeiros meses de vida sexual e, entre 40% e 50%, no primeiro ano. Só quando os adolescentes passam por uma situação de risco é que eles vão pensar em se prevenir”, explica.

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